Conheça a campanha
O Projeto
O objetivo desta campanha é financiar o processo de edição e publicação do livro A morte da Natureza, da filósofa ecofeminista e historiadora da ciência Carolyn Merchant. É a principal obra já publicada sobre os efeitos do patriarcado na produção de conhecimentos a respeito da natureza.

Carolyn Merchant é considerada, entre acadêmicos e ativistas, uma das mais importantes pensadoras do Ecofeminismo. Ela é filósofa e historiadora da ciência. Seus estudos foram fundamentais para consolidar a História Ambiental, com centralidade nos Estudos sobre Gênero.
Nascida em 1936 e hoje com 89 anos, Merchant é professora emérita de História Ambiental, Filosofia e Ética na Universidade da Califórnia. Ela obteve seu doutorado em História da Ciência em 1967, na Universidade de Wisconsin. Foi professora nas Universidades de São Francisco, Berkley, Umeå, Stanford e Princeton. Seus livros já receberam mais de 230 resenhas, em dezenas de línguas.
É autora do renomado "A Morte da Natureza: mulheres, ecologia e a revolução científica”, livro fundamental para movimentos sócio-territoriais ligados às causas do Ecofeminismo Anticapitalista e às lutas emancipatórias por corpo e território, agora, em financiamento colaborativo.
Objetivos da arrecadação
Financiar a publicação do livro A morte da Natureza: mulheres, ecologia e a revolução científica de Carolyn Merchant que apesar de ser uma obra fundamental, tanto para o movimento feminista, quanto para o movimento ecológico, ainda é inédita no Brasil.
O Livro
A publicação - que chega ao Brasil por meio da parceria entre as editoras Igrá Kniga e Expressão Popular, traz para o português brasileiro o livro mais importante de Carolyn Merchant: A Morte da Natureza: Mulheres, Ecologia e a Revolução Científica

Sinopse do livro
O livro “A Morte da Natureza” apresenta uma história da filosofia e da ciência capaz de revelar o impacto de práticas e concepções patriarcais forjadas no âmbito do capitalismo nascente. Merchant identifica a Revolução Científica do século XVII como o período em que a ciência começou a atomizar, objetificar e dissecar a natureza, transformando a matéria natural em matéria prima para a produção de mercadorias. Tais formulações filosóficas e científicas foram produzidas por homens e em contextos familiares patriarcais de repressão e desautorização das mulheres, que acabam por fortalecer a economia mercantil, com centralidade em homens empresários e de classe média.
Até meados do século XVI, as interpretações e atitudes diante da natureza dependiam de uma compreensão da Terra como entidade viva, por vezes figurada como uma mãe nutridora - embora, às vezes, feroz. Essa metáfora foi gradualmente substituída pelo modelo de "dominação da natureza" à medida que a Revolução Científica racionalizava e dissecava a natureza para revelar todos os seus segredos e a controlar, através dos processos produtivos da mineração, metalurgia, agricultura, pecuária e das corporações de ofícios e manufaturas modernas.
A análise de Merchant a respeito da filosofia de Francis Bacon (XVII), por exemplo, causou grande impacto ao demonstrar que a linguagem e visão de mundo desse filósofo era informada pelo infame manual de casa às bruxas, Malleus Maleficarum. As metáforas de Bacon sobre a extração dos segredos da natureza foram obtidas das descrições dos julgamentos e torturas de mulheres acusadas de bruxaria. Mulheres e Natureza deveriam ceder à força da razão masculina, abandonar a insolência, ousadia e serem colocadas sob restrição, moldadas e feitas como se fossem novas pela arte e pela mão do homem: "A natureza recebe ordens do homem e trabalha sob sua autoridade". Uma vez submetida a este esquadro feminilizador a partir de concepções capitalistas, religiosas e patriarcais, a natureza deveria ser posta a serviço e escravizada aos fins humanos de recuperar domínio perdido na "queda” do Paraíso.
Assim, um mundo repleto de forças vivas e vitais foi gradualmente substituído por um sistema mecânico morto, alinhado às novas tendências capitalistas do início da sociedade moderna. A natureza viva dá lugar a um acumulado de coisas inertes, sem consciência e mortas, dispostas mecanicamente no mundo para o bem dos homens, sob a economia mercantil.
Em combinação com a crescente industrialização e ascensão do capitalismo, que, simultaneamente, substituiu o trabalho das mulheres, como a tecelagem, por máquinas, e subsumiu seus papéis como agricultoras de subsistência, tais mudanças também levaram as pessoas a viver em cidades, afastando-as ainda mais da natureza e dos efeitos da produção industrializada sobre ela. De acordo com Merchant, a combinação entre a industrialização, a exploração científica da natureza e a ascendência da metáfora do domínio/controle sobre a Mãe Terra nutridora, ainda podem ser sentidos no pensamento social e político, tanto quanto era evidente na arte, filosofia e ciência do século XVII.
À medida que a natureza revelava seus segredos, ela foi progressivamente controlada - não sem produzir contradições fundamentais, que, aos poucos, passam a derrubar todo o edifício filosófico e tecnológico da modernidade. A destruição da vida humana e não humana em todo o planeta é o limite histórico da filosofia estanque da dominação da natureza. A intenção e a metáfora da "natureza revelada" prevalece hoje na linguagem científica e nas mais diversas formas do desenvolvimentismo e ideologias do progresso técnico, que lutam para fazer do planeta Terra um deserto. Na aurora do século XXI, a concepção aceleracionista - a versão limítrofe da filosofia naturalista do século XVII - busca emancipar os seres humanos do seu substrato ecológico, uma distopia recorrente aos bilionários construtores de foguetes e bunkers lunáticos.
“A Morte da Natureza” demonstra a importância do gênero na historiografia da ciência moderna, ao apresentar os vasos comunicantes entre o recrudescimento do machismo e do patriarcado e as novas formulações da filosofia naturalista, tomando contextos determinados, baseados na história ambiental, social e literária da modernidade.
“A Morte da Natureza”, de Carolyn Merchant, deixa um legado acadêmico nos campos da História Ambiental, da Filosofia, da Geografia e dos Estudos de Gênero. O livro é considerado inovador devido à sua conexão entre a feminização da natureza e a naturalização do feminino. Por isso, trata-se de uma leitura fundamental ao Ecofeminismo anticapitalista, um livro incontornável para a compreensão crítica da história do patriarcado.
Sumário
Prefácio à edição brasileira Maria Fernanda Novo
Prefácio de 2020 Uma retrospectiva
Prefácio: 1990
Texto da Orelha Alana Moraes
Introdução
Mulheres e Ecologia
Cap.1 - A Natureza como Feminina
A natureza nutridora: controle do imaginário • Imagens Literárias • Marcos Filosóficos • O Geocosmo: a Terra como mãe nutridora • Restrições normativas contra a mineração da Mãe Terra •
Cap.2 - Fazendas, Pântanos e Florestas:
Ecologia europeia em transição • Ecologia da Fazenda Senhorial • O mercado e o capitalismo • Pântanos • Florestas •
Cap.3 - Sociedade Orgânica e Utopia
Sociedade Orgânica • Comunidade Orgânica • Utopias Orgânicas • Holismo • Trabalho • O Compartilhamento Comunal • Mulheres • Política e Comunidade • Ecologia e Utopia
Cap.4 - O Mundo como um Organismo
Unidade Orgânica • Magia Natural Neoplatônica • Naturalismo • Vitalismo •
Cap.5 - Natureza como Desordem
Mulheres e Bruxas • Desordem na Natureza • Desordem, Sexualidade e a Bruxa • "Ciência" e a Bruxa • O Lugar das Mulheres na Ordem da Natureza •
Cap.6 - Produção, Reprodução e o Feminino
Mulheres e Produção • Reprodução e o Feminino
Cap.7 - Domínio sobre a Natureza
A Nova Atlântida: Uma Utopia Mecanicista • Capitalismo e Progresso Científico • Mecanismo e a Nova Atlântida • O Programa Baconiano •
Cap.8 - A Ordem Mecânica
O Surgimento do Mecanicismo na França • Hobbes: o Mecanismo e a Ordem Social
Cap.9 - O Mecanismo como Poder
Tecnologia das Máquinas • Máquinas como Modelos Estruturais para uma Ontologia e Epistemologia Ocidental •
Cap.10 - A Gestão da Natureza
A Natureza como Vegetal • Gestão e Condução Humana •
Cap.11 - Mulheres na Natureza
Anne Conway e outras Filósofas Feministas • O Vitalismo Monista de Anne Conway • Mulheres e a "Nova Filosofia" • Mulheres como Público para a Ciência
Cap.12 - Leibniz e Newton
Epilogo
Equipe
Cada etapa da edição do livro conta pessoas de diversos lugares, com diferentes trajetórias, idades e formações.
Carolyn Merchant - Autora
Maria Fernanda Novo, Filósofa - Prefácio à edição brasileira
Alana Moraes, Antropóloga - Texto da Orelha
Allan Rodrigo de Campos Silva, Geógrafo - Edição, Tradução e
Revisão
Miguel Yoshida, Expressão Popular - Edição
Mayara Araújo, Geógrafa - Tradução
Mariana Hope, Geógrafa e Professora - Tradução
Priscila Ambrósio, Bióloga e Pós-Doutoranda - Tradução
Rafael Afonso Silva, Sociólogo - Tradução
Carolina Leite,Professora Geografia UFPE- Tradução
Bárbara Wanderley, Mestra em Geografia - Tradução
Gabriela Fellet, Roteirista - Tradução
Cássia Fellet, Psicóloga - Tradução
Júlia Giorgi Mariano, Socióloga - Tradução
Bruno Xavier Martins, Geógrafo e Economista - Tradução e Revisão
Marina Braguini Manganotte, Geógrafa - Preparação e Diagramação
Lia Urbini, Expressão Popular - Revisão Final
Fred & Gui, Revista Comando - Capa e Ilustrações
Recompensas
A morte da natureza, Carolyn Merchant

Além de “A Morte da Natureza: Mulheres, Ecologia e a Revolução Científica” de Carolyn Merchant, quem apoiar o projeto tem a opção de adquirir também outros livros do nosso catálogo. Veja abaixo quais são as recompensas:
A ecologia de Marx, John Bellamy Foster

A Ecologia de Marx: materialismo e natureza teve sua primeira edição há mais de 20 anos, em 2000. À época foi um marco no debate sobre a interpretação da questão ecológica a partir da teoria social desenvolvida por Karl Marx e Friedrich Engels abrindo um amplo debate produtivo e criativo em torno dessa questão que se mostra cada vez mais urgente no atual estágio de desenvolvimento do capital. O saldo dessa publicação, depois de 20 anos, é o de um aprofundamento na reflexão em torno do legado de Marx não apenas para a crítica ao modo de produção atual, mas sobretudo à possibilidade de se pensar e se construir a superação dele. A ecologia de Marx: materialismo e natureza foi escrito com o intuito de ampliar e radicalizar as possibilidades de posicionamento crítico dentro do debate ecológico. Por meio de um mergulho profundo nas obras de Marx e Engels rigorosamente contextualizadas, Foster consegue reconstruir passo a passo o percurso investigativo dos autores em busca de uma leitura materialista da história que, contra o reducionismo de muitas interpretações posteriores, se prova profundamente ecológica. Fazendo isso, o autor fornece bases fundamentais para que as novas gerações de pesquisadores e militantes não repitam os erros do passado, e possam dar prosseguimento às atualizações da luta que realmente se fazem necessárias dentro do escopo do que se tem de melhor no legado socialista científico.
Capitalismo Carcerário, Jackie Wang

O livro Capitalismo Carcerário de Jackie Wang faz a atualização das dimensões raciais, econômicas, políticas, jurídicas e tecnológicas do problema do encarceramento em massa nos EUA. Ele é composto por sete ensaios que analisam as transformações do controle biopolítico de jovens infratores a partir da década de 1990, com a consequente adoção da prisão perpétua para menores de idade; a formação de um mercado racializado de dívidas "subprime" que promove a despossessão da população negra nos EUA; a formatação de um esquema oficial de pilhagem que se utiliza da polícia e da justiça criminal para prender e arrecadar dinheiro da população pobre, com o intuito de resolver o déficit fiscal dos municípios após a crise de 2008; o desenvolvimento e aplicação de tecnologias preditivas e algorítmicas no policiamento; e um debate poético sobre as possibilidades imaginativas do abolicionismo penal. Ele é o primeiro volume da Coleção Raça e Capitalismo da IK.
Califórnia Gulag: prisões crise do capitalismo e abolicionismo penal, Ruth Wilson Gilmore

Califórnia Gulag fornece a primeira explicação detalhada para o boom prisional , demonstrando como as forças políticas e econômicas, globais e locais, se uniram para formar e consolidar o "sistema industrial prisional" nos EUA. A partir de um relato emocionante e rico em informações e análises teóricas e conjunturais, Ruth Wilson Gilmore examina esse fenômeno desde diferentes perspectivas para explicar como a expansão prisional ocorreu devido aos excedentes de capital financeiro, trabalho, terra e capacidade estatal tornados ociosos no processo de desindustrialização e do fim do estado de bem-estar social no país. Detalhando as crises que atingiram a economia da Califórnia com particular ferocidade, ela argumenta como as secas históricas da década de 1970 no estado, as mudanças nas disputas pelo poder econômico das terras agrícolas, as derrotas das lutas radicais, o enfraquecimento do poder do trabalho e a mudança nos padrões de investimento de capital formaram o cenário para o desenvolvimento do crescimento prisional. Califórnia Gulag conta a história, a geografia e a economia política por trás da transformação do estado da Califórnia numa espécie de gulag dentro do território dos EUA. O livro conta também a inevitável e potente formação de grupos abolicionistas de mães que precisam se erguer e se organizar para fazer frente ao sequestro de seus filhos para dentro dos cárceres do Estado. Este é o segundo livro da coleção Raça e Capitalismo de IK.
Agronegócio e Indústria Cultural, Ana Manuela Chã

Um dos grandes méritos do livro de Ana Chã é abordar um fenômeno concreto e indagar o objeto a partir de suas próprias contradições, perseguindo no fio da meada da história a trilha que nos leva a compreender como aspectos aparentemente tão distintos fazem parte do mesmo modo de produção. O recorte histórico da investigação sobre as conexões entre o modelo de produção do agronegócio e a indústria cultural no Brasil parte da década de 1960, momento em que esta articulação se consolida, com a implementação do ciclo de modernização conservadora instituinte da atual configuração do bloco histórico hegemônico.A pista para o trabalho foi dada por Lupércio Damasceno, um valoroso militante do setor de Cultura do MST, que formulou uma equação original: a cultura popular está para a reforma agrária tal como o agronegócio está para indústria cultural. A questão colocada encontrou terreno fértil no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Territorial da América Latina e Caribe (TerritoriAL), fruto de parceria pioneira da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) com a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), espaço em que diversas áreas de conhecimento são articuladas para pensar o real enquanto fenômeno possível de ser percebido como totalidade, passível de ser transformado.O argumento de Ana Chã aborda as formas de atuação das empresas no campo da comunicação e cultura articulada com o levantamento e análise de dados sobre as políticas culturais das empresas e a relação dessas ações com a capilaridade dessas empresas, que dimensionam a territorialização do agronegócio no Brasil.
Cronograma
- Tradução: finalizada em julho/24
- Revisão da tradução e preparação do texto: ago/24 à maio25
- Revisão final: mai/25
- Prefácio e orelha: mai/25
- Capa: jan/25
- Diagramação: jun/25
- Revisão de prova: jul25
- Gráfica: julho/25
- Entrega dos livros: você vai receber seu(s) exemplar(es) em agosto de 2025.
Especificações do livro
- aprox. 350 páginas
- papel pólen soft
- miolo preto e branco
- formato 14x21cm
- capa: papel cartão, laminação fosca
Orçamento
Diante da importância e da relevância dessa obra para movimentos sociais de luta pela terra, feministas e ecológicos, pesquisadores acadêmicos e público brasileiro em geral, não medimos esforços na produção e edição deste livro. Por isso, optamos pelo "Financiamento Tudo ou Nada", pois acreditamos que nada do que foi pensado para essa obra pode ficar de fora. Para que o livro chegue até a leitora e o leitor, essa campanha precisa alcançar a meta estipulada nesse financiamento.
Contato
E-mail:igrakniga@gmail.com
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